Mudanças na ISO 9001:2026: principais temas
Conheça as mudanças previstas na ISO 9001:2026, incluindo cultura da qualidade, liderança, ética, riscos e transformação digital.
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Áudila Kátia Parteli
8/12/20264 min read


Artigo 2
Mudanças na ISO 9001:2026 reforçam cultura, liderança e estratégia
As mudanças na ISO 9001:2026 devem aproximar ainda mais a gestão da qualidade da estratégia, da cultura organizacional e dos desafios atuais das empresas.
A revisão não representa o abandono completo da estrutura da ISO 9001:2015. A expectativa é de evolução e maior clareza em temas que já influenciam a eficácia dos Sistemas de Gestão da Qualidade.
Entre os assuntos associados ao projeto final estão cultura da qualidade, comportamento ético, liderança, riscos e oportunidades, conhecimento organizacional, transformação digital, terminologia e conteúdo informativo do Anexo A.
Como o documento definitivo ainda não foi publicado, esses pontos devem ser tratados como mudanças previstas no FDIS, e não como requisitos finais já vigentes.
Por que a ISO 9001 está sendo revisada?
Desde 2015, o ambiente empresarial mudou de maneira significativa.
Organizações passaram a utilizar mais automação, plataformas digitais, análise de dados, Inteligência Artificial e modelos de trabalho distribuídos.
Também aumentaram os riscos ligados a cadeias de fornecimento, segurança da informação, disponibilidade tecnológica, mudanças climáticas e continuidade das operações.
A revisão busca manter a norma relevante para empresas de diferentes portes e setores diante desse novo cenário.
Cultura da qualidade ganha mais espaço
A cultura da qualidade representa a forma como as pessoas tomam decisões quando não estão sendo diretamente supervisionadas.
Ela aparece quando profissionais comunicam problemas, seguem critérios, tratam causas e participam das melhorias.
Também aparece quando gestores evitam ocultar falhas para cumprir metas de curto prazo.
Na futura edição, o tema tende a receber maior visibilidade, reforçando que um SGQ não depende apenas de procedimentos e registros.
O que a empresa deve avaliar?
A organização pode observar:
se as pessoas se sentem seguras para relatar problemas;
se erros são tratados como fonte de aprendizado;
se a liderança segue os controles estabelecidos;
se metas estimulam comportamentos inadequados;
se a qualidade é considerada nas decisões diárias.
A cultura não pode ser comprovada apenas com uma política. Ela precisa aparecer no comportamento.
Liderança deve assumir uma posição mais estratégica
A ISO 9001:2015 já atribui responsabilidades importantes à Alta Direção.
Na revisão, a tendência é reforçar a ligação entre liderança, cultura, resultados e direção estratégica.
Isso significa que os líderes não devem participar do SGQ apenas durante análises críticas ou auditorias.
Eles precisam incorporar a qualidade às decisões sobre recursos, tecnologia, fornecedores, pessoas, expansão e mudanças.
Como demonstrar liderança prática?
A Alta Direção pode demonstrar participação ao:
acompanhar indicadores relevantes;
remover barreiras entre processos;
disponibilizar recursos;
apoiar investigações;
comunicar prioridades;
agir diante de riscos;
cobrar eficácia, e não apenas documentação.
A qualidade se torna estratégica quando influencia decisões reais.
Comportamento ético pode receber maior destaque
A ética está ligada à confiança, à transparência e à forma como a empresa trata seus problemas.
Uma organização pode possuir procedimentos completos e, ainda assim, comprometer o sistema quando manipula indicadores, esconde falhas ou pressiona equipes a liberar produtos não conformes.
O comportamento ético não deve ser limitado a um código de conduta.
Ele precisa orientar decisões sobre clientes, fornecedores, colaboradores e requisitos aplicáveis.
Riscos e oportunidades podem ser tratados com maior clareza
Na ISO 9001:2015, riscos e oportunidades aparecem associados.
A revisão pode tornar a distinção mais clara, ajudando empresas a evitar análises genéricas.
Riscos representam efeitos potenciais que podem comprometer resultados.
Oportunidades são condições capazes de gerar melhorias, inovação, eficiência ou maior satisfação.
Uma oportunidade não precisa ser apenas o “lado positivo” de um risco. Ela pode surgir de uma nova tecnologia, de uma parceria ou de uma mudança de mercado.
Conhecimento organizacional será ainda mais importante
A perda de profissionais experientes, a terceirização e a rápida mudança tecnológica aumentaram o risco de perda de conhecimento.
A empresa precisa identificar o que é essencial para operar, decidir e resolver problemas.
Esse conhecimento pode incluir:
critérios técnicos;
experiência de processos;
histórico de falhas;
lições aprendidas;
métodos de análise;
relações com fornecedores;
decisões críticas.
Documentar é importante, mas não suficiente. Também é preciso compartilhar e atualizar o conhecimento.
Transformação digital entra no contexto da qualidade
A transformação digital pode aumentar produtividade, rastreabilidade e capacidade de análise.
Ao mesmo tempo, cria riscos de dependência tecnológica, indisponibilidade, falhas automatizadas e baixa qualidade dos dados.
A futura norma não deve exigir uma tecnologia específica. A preocupação está em saber se as ferramentas utilizadas são adequadas e controladas.
Empresas devem avaliar:
confiabilidade dos sistemas;
segurança das informações;
controle de alterações;
qualidade dos dados;
continuidade da operação;
competência dos usuários.
A tecnologia precisa apoiar o SGQ, e não criar uma nova fonte de falhas.
Novo Anexo A e atualização da terminologia
O Anexo A possui função informativa.
Sua atualização deve ajudar na interpretação de temas que podem gerar dúvidas, sem criar uma lista paralela de requisitos.
A terminologia também tende a ser harmonizada com a atualização da família ISO 9000.
A página oficial da ISO já apresenta a ISO 9000:2026 como atualização destinada a manter vocabulário e princípios alinhados às abordagens modernas de gestão e à revisão da ISO 9001.
Conclusão
As mudanças na ISO 9001:2026 apontam para uma gestão da qualidade mais ligada à cultura, à estratégia e à transformação dos negócios.
Empresas maduras provavelmente precisarão ajustar e reforçar práticas existentes. Sistemas excessivamente documentais poderão exigir mudanças mais profundas.
O próximo passo não é alterar formulários, mas avaliar se liderança, cultura, riscos e conhecimento funcionam de maneira efetiva.
Entenda, na próxima notícia, como a nova ISO pode aproximar qualidade e estratégia de negócios.
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